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Avatar de Inês Monguilhott

Terminei de ler seu livro. Aliás, não li, assisti. Ele é um filme.

E vai se transformando à medida que o acompanhamos. Começa lento, realista, meticulosamente descritivo. Dá para ver os cenários. Quando eu já estava certa de que aquele era o seu formato, me vi, de repente, dentro de uma farsa: a cidadezinha como cenário de peça, armada para seus atores/personagens. O realismo vai ao limite.

E mal me adaptei, um realismo fantástico começa a invadir tudo, fazendo água no que eu julgava definitivo. Não acontece de uma vez. Vai entrando aos poucos, até que o chão realista vacile. Isso é uma tremenda ousadia para quem escreve: mudar o pacto com o leitor sem desmontar um livro.

Gostei de encontrar no seu livro algo que eu mesma não consigo ter quando escrevo: uma visão positiva da humanidade. O livro se conclui num caleidoscópio mágico, que se assenta com uma suavidade espiralada. Muitas perguntas ficam sem resposta, mas não como falha: como partículas douradas repousando. São esperança.

Não é um livro que se esqueça facilmente. O livro não responde diretamente às perguntas que cria, e isso opera de forma inteligente e criativa: fica reverberando. É uma estratégia arriscada e, no seu caso, profundamente eficiente.

Avatar de Inês Monguilhott

Fiquei muito comovida. Nem sei o que dizer…

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