Você está ridículo
o primeiro combate para vencer a estagnação
“Você está ridículo!”
“Ridícula!”
A vergonha é uma das armas que a sociedade usa para te atingir quando você se decide a transicionar de gênero, diz Laerte em entrevista.
“Esse sentimento é a primeira coisa que a pessoa tem que combater e se sentir forte ali dentro (dentro de si)” [Laerte]
Se o que a vida quer da gente é coragem, imagine você quanta coragem é preciso para um ser humano decidir-se a transicionar de gênero. Eu muitas vezes não tenho coragem/ânimo nem de rebater uma crítica sobre me sobrepeso, imagine mudar a vida e o corpo inteiro. Toda pessoa que se decide a uma aventura tão grande é para mim digna de respeito absoluto, e de minha pequena contrapartida sempre ofereço acolhimento. (escrevi sobre isso em “A mística do amor”)
Porém, o meu foco hoje não é o transgênero e sim o combate.
Sim, o combate.
O ataque “Você está ridículo!”, tão bem apontado pela Laerte, é universal. É o primeiro ataque que recebemos, seja lá ao que nos propusermos a fazer.
“Mas é uma coisinha assim tão pequena... é apenas a opinião do outro... é só ignorar...”
Afê.
O cisco no olho do outro não arde no nosso.
Ultrapassar esse ataque parece fácil quando não é com a gente... não é?
Quando estou escrevendo, quase não vejo isso, mas, ao revisar meus textos, eu ligo esse alarme sim... Será que isso aqui é ridículo? Eu vou fazer papel de palhaça? Sim. Já cortei muita coisa por simples vergonha... O que vão achar ao ler isso?
Parece pouco, mas não é. Nossa primeira necessidade é de aceitação, acolhimento. Faz parte de nosso instinto o ser aceito em sociedade, é de nossa sobrevivência... A simples ameaça a esse nosso desejo primordial nos aterroriza e imobiliza.
“Você está ridículo” : é a tentativa de nos imobilizar. Ficar onde se está. Não fazer nada. Continuar na mesmice. Continuar apenas sobrevivendo, nos arrastando pelos dias, em depressão, consumindo remédios, comprando coisas de que não precisamos, enchendo o buraco de nosso querer-de-alma com manufaturas pasteurizadas.
E como lutar, então?
Laerte também nos dá a resposta: “se sentir forte ali dentro”.
Talvez ela tenha sido educada, porque eu acho que a primeira resposta tem que ser um “Que se foda” redondo, sonoro, canoro (se você tiver um timbre de voz bom).
– Você está ridículo!
– Você que se foda!
Tem algumas variações possíveis, mas o ponto de partida é por aí. Chamo de “técnica de garrar um ódio”. Eu estou tentando evitar palavrões, não acho bom baixar a vibração com esses termos chulos... mas, nesse caso, tem um porquê.
No primeiro momento, você e eu precisamos dessa ignição vulcânica que é o foda-se. Não se preocupe, depois você vai refinando... e não se culpe se, em caminho já adiantado, tiver que voltar a ele. Afinal, ele é o fogo que instantaneamente queima o ataque alheio, as chamas que transformam essa vilania (que é a vergonha) em pó, em nada.
Não se deixe imobilizar, principalmente nos primeiros passos. E vá buscando como se fortalecer.
Se seu querer-de-alma te chama, se você escutou esse chamado (e tenho certeza de que você sabe o que é escutar isso), siga do jeito que conseguir. Caminhando, tropeçando, de cabeça erguida, sorriso no rosto (mesmo que com os dentes travados).
Tenho certeza de que você vai encontrar acolhimento em seu caminho. Encontrará sua tribo de alma.
Tenho certeza de que você vai conseguir seguir seu caminho.
E eu sei disso porque eu também estou aqui com você. E, como eu e você, há muitas pessoas.
Porque nós, com o coração alinhado à alma, estamos aqui para o mesmo combate.
Sigamos criando e recriando a nós mesmos.
Sigamos criando arte.
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Querida pessoa, que alegria ter você até aqui!
Espero, de coração, que o texto tenha inspirado você. Vou adorar ler seu comentário e conversar com você!
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Muito bom texto, todos deveriam ler! 💕
Um bom "foda-se" tem um efeito curativo enorme... desde que não nos identifiquemos com ele. Fiz isso recentemente com um familiar muito próximo e foi muito bom. Como sabiamente você colocou: "essa ignição vulcânica".