A escrita mística de Elsa Barker
Um encontro com Felicidade
Um livro me chamou a atenção e, dentro dele, um dos capítulos era muito elogiado. Era o artigo “Felicidade”, escrito por Elsie Barker.
Foram tantos os elogios que eu comprei o livro e, logo que chegou, eu li o artigo – e me apaixonei por ele.
No mesmo momento, encontrei o original na internet, na revista Universal Brotherhood, de janeiro de 1898. (fonte).
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Mas, quem foi Elsie?
Procurei pela internet e não encontrei nada... a editora do livro da tradução brasileira gentilmente me informou sobre a biografia dela e, então, eu busquei por “Elsa” Barker: aí sim encontrei mais informações.
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Elsa Barker (1869–1954) foi uma romancista, poeta e contista norte-americana, nascida em Leicester, Vermont. Órfã ainda jovem, iniciou a carreira como taquígrafa, professora e jornalista, atuando também como editora e palestrante, com colaborações para a Consolidated Encyclopaedia Library (Biblioteca Enciclopédica Consolidada) e para a imprensa de Nova York. Publicou peça de teatro, romance e vários poemas. Interessou-se pelo ocultismo, filiando-se à Sociedade Teosófica e à Ordem Rosacruz de Alpha et Omega, experiências que influenciaram suas obras. Nos últimos anos, dedicou-se ao estudo da psicanálise, viveu por um período na Europa e faleceu em 31 de agosto de 1954.
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A sua literatura foi influenciada pela ideologia do movimento teosófico, o que se reflete nos poemas dela que eu pude ler.
Segundo a explicação do site da sociedade : “Teosofia: A palavra deriva do grego theos (deus, divindade) e sophia (sabedoria). Sua filosofia é uma apresentação contemporânea da sabedoria perene que fundamenta as religiões, as ciências e as filosofias do mundo”.
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Minha curiosidade sobre ela me levou a escrever para essa sociedade teosófica e perguntar se eles tinham alguma fotografia ou registro... mas ainda não me responderam.
Encontrei dois registros pela internet, mas sem fonte confiável:
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Sobre “Felicidade”
O artigo “Felicidade”, publicado em 1898 na revista Universal Brotherhood, é de leitura fluida e com insights maravilhosos. Elsa cita outros autores, filósofos e termina o artigo com um poema de Matthew Arnold.
Na abertura, a felicidade é comparada a uma sombra: “ela sempre escapa daquele que corre ofegante atrás dela; mas, se ele se afasta e se dedica a outra coisa, ela o segue bem de perto”.
A autora observa que cada pessoa entende felicidade de um modo distinto: dinheiro, lazer, conforto. Para ela, porém, a maioria confunde felicidade com prazer. O prazer é breve; a felicidade é mais estável. A vida dedicada a adquirir e desfrutar coisas leva, segundo o texto, a uma “perseguição de sombras”, na qual nada é realmente vivido.
Viver no presente é uma das ideias centrais. O futuro é incerto, enquanto o presente é o único tempo real: “Todo tempo é o presente. É sempre agora; sempre será agora”. A preocupação constante com o amanhã e com pequenos contratempos corrói o contentamento possível.
O texto também trata do desgaste causado pela distância entre ideais e realidade. Exigir da vida a realização plena dos ideais leva ao desencanto. Ainda assim, a autora defende o cultivo consciente de ideais, mesmo sabendo que muitos não se realizarão.
“Quanto a mim, cultivo muitos ideais que sei que jamais se realizarão. Muitas vezes me enganei consciente e deliberadamente, porque o engano me fazia feliz. Isso pode ou não ser sábio; é uma questão sobre a qual se pode discordar razoavelmente. [...] há ideais mais belos do que certos fatos, e se é ou não imprudente cultivá-los, eu não sei. Sei apenas que continuarei a fazê-lo enquanto me restar algum ideal para cultivar.”
Elsa fala ainda sobre o trabalho, apresentado como força formadora e fonte de satisfação. Mesmo quando feito por necessidade, pode sustentar uma felicidade moderada. Quando realizado por amor (especialmente na arte) aproxima-se do que há de melhor na experiência humana. Schopenhauer é citado ao afirmar que o artista criador chega mais perto da felicidade do que qualquer outra pessoa.
A autora afirma que “toda verdadeira felicidade vem de dentro”. Bens, relações e prazeres não compensam a consciência de uma vida desperdiçada. Por isso, a confiança em si mesmo é essencial: quem confia em si não permanece infeliz por muito tempo.
O texto associa felicidade a amor, entendido como abertura ao outro e à humanidade. Esse amor não exclui os afetos particulares, mas se amplia a partir deles. A infelicidade surge da falta de harmonia interior.
É sobre aceitar as imperfeições da vida, viver no presente, trabalhar com dedicação, cultivar ideais e usar as próprias capacidades em benefício dos outros. A felicidade, se surge, é consequência e não objeto de conquista.
“Um jovem certa vez me disse que, para ser feliz, precisava interessar-se tanto por algo a ponto de esquecer-se completamente de si mesmo. Sem saber, ele tocou numa grande verdade, num grande mistério.”
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A Elsie poeta também é digna de atenção.
Eu estou conhecendo agora os poemas dela e fecho aqui com um deles:
Aquele que Conhece o Amor
Elsa BarkerAquele que conhece o Amor — torna-se Amor, e seus olhos
Veem Amor no coração de todos,
Mesmo dos que não amam: como a luz do sol
Que é una com tudo o que toca. Ele é sábio
De uma sabedoria indivisa, pois repousa
Nos braços da Sabedoria. Suas errâncias cessaram,
Pois encontrou a Fonte de onde tudo flui —
O prêmio da busca, que enfim satisfaz.Aquele que conhece o Amor torna-se Amor, e sabe
Que todos os seres são ele mesmo, gêmeos nascidos do Amor.
Fundido no próprio fogo do Amor, seu espírito escorre
Por todas as formas da terra, abaixo e acima;
Ele é o sopro e o fulgor da rosa,
Ele é a bênção silenciosa da pomba.
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(Fonte)
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Outros textos sobre Elsa Barker:
Como o texto “Felicidade” está em domínio público, está narrado integralmente aqui. (Tradução feita pelo chat GPT e google tradutor e revisado por erica b)
Felicidade (Tradução feita pelo chat GPT e google tradutor e revisado por erica b)
Este artigo está narrado (no youtube aqui).
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Hoje conversamos sobre “Felicidade”, texto de Elsie Barker. Espero que tenha inspirado você.
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Suas descobertas são inspiradoras. Amei a Elsa e vou correndo lá ler o artigo "Felicidade".