Bechdel teste
Suas personagens femininas são de plástico?
Quando eu era adolescente, li quase todos os livros de Stephen King.
E ainda leio... ano passado fui para a praia e li o Depois , no prazo de um dia... eu também li O instituto, em dois dias, culpa de outras férias que tirei em que não parou de chover. Mas não foi culpa só da chuva, não... a leitura sempre voa porque o cara sabe mesmo escrever um suspense. Na área de livros, dizemos que é um pageturner, você não consegue largar a leitura, as páginas quase viram sozinhas... é viciante.
Mas uma coisa sempre me incomodou... as personagens femininas eram “feitas de plástico”. Esse termo não é científico, não. Um primo meu usa para chamar as pessoas que ele não considera humanas – não por atos horripilantes (como genocídios, maltratar cachorro, ou não lavar a louça depois que a mãe fez o almoço de domingo para dez pessoas), mas para pequenos detalhes do cotidiano, coisas que você faz quando é um ser social (como trabalhar, cozinhar, fofocar um pouco, assistir tv, ajudar nas tarefas domésticas – sim, esse último exemplo aparece em todos os contextos)... ... Eu adotei o termo para quando o personagem está ali apenas para cumprir uma agenda tola e/ou secundária.
Voltando..., as personagens femininas de Stephen King estavam ali para cumprir um papel bem específico e, geralmente, era o de ser sexy, ser o par romântico ou sexual do protagonista, morrer (invariavelmente, morrer), ser violentada, não ter voz alguma (ao menos, não significativa), ser, enfim, apenas a assistente voluptuosa e estática num show de mágica.
Quando você nota isso em uma história, não tem mais como “des-ver”. E não apenas aqui no meu exemplo dos livros de Stephen King, mas em tudo: na roda de conversa de amigos, em romances, novelas, teatro, canções, filmes...
E eu descobri recentemente, no último Dia das Mulheres, um post no instagram que trazia um teste chamado Bechdel.

O teste Bechdel foi criado a partir de uma tirinha desenhada pela artista Alison Bechdel que dizia basicamente que só ia assistir a um filme no cinema quando três regras fossem cumpridas:
1- O filme tem pelo menos duas personagens mulheres
2- Elas têm nome
3- E elas conversam entre si sobre algo que não seja um homem
Parece bem boba, mas a regra não é respeitada em muitos filmes... E é tão simples, não?
Então, decidi trazer essa regra básica aqui para que possamos, nós os criadores de conteúdo, estar mais atentos... mesmo nós, pessoas tão vacinadas contra o patriarcado, machismo e preconceitos, podemos escorregar na superficialidade de vez em quando.
Nada de superficialidade! Simplesmente não, não faremos isso, ok?
Revise suas ideias, suas narrativas, suas obras. Se algum personagem seu parece ser “de plástico”, pode ter certeza de que você está desprezando alguma minoria social, e você acaba sendo mais um colaborador do sistema geral de opressão e disseminação de hostil intolerância.
Mesmo Stephen King parece estar aprendendo a lição. No livro que citei, o Depois, ele coloca personagens mulheres com um pouco mais de voz – mas, mesmo assim, a narração é de um protagonista masculino... e a capa do livro não parece uma maçã que caiu longe da macieira...
Enfim, sejamos nós melhores criadores!
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Oi Érica, adorei a reflexão. Realmente precisamos de mais personagens femininas com voz e participação ativa nos textos, contos e histórias. Nós também somos protagonistas e devemos ter esse espaço na literatura. E em se tratando dos seus livros, posso dizer com propriedade que as mulheres são sempre bem representadas e apresentam papel fundamental no desenrolar da história. Inclusive gostaria de dizer que você também domina a arte de nos enfeitiçar, pois quando começo uma leitura, não consigo parar...Érica também é uma pageturner rsrs. Um abração